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01/08/2018
ONGs lancam campanha para tentar acelerar ampliacao do Parque Nacional de Abrolhos

ONGs lançam campanha para tentar acelerar ampliação do Parque Nacional de Abrolhos
01 Agosto 2018 | 06h00

Giovana Girardi

Parque hoje cobre apenas 1,8% da área do banco de Abrolhos; ICMBio promete lançar consulta pública de projeto com novos limites depois das eleições

FLORIANÓPOLIS - Um grupo de ONGs ambientalistas lançou nesta terça-feira, 31, uma campanha para tentar acelerar a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos - processo que já se arrasta há cerca de dez anos.

As organizações aproveitaram o Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, que está sendo realizado em Florianópolis, para tentar arrancar um posicionamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão dos parques federais. O objetivo é tentar concluir o processo até o final do ano, antes da troca no Palácio do Planalto.

Apesar de bastante criticado na área ambiental, o presidente Michel Temer atendeu um pouco aos anseios do setor ao criar áreas de proteção gigantes no entorno dos arquipélagos de São Pedro e São Paulo e da Ilha da Trindade, e a esperança dos ambientalistas é, no embalo, ele também faça a esperada ampliação de Abrolhos.

O parque, criado em 1983, com 882 km², cobre somente 1,8% do maior banco de corais do Atlântico Sul, que tem pouco menos de 50 mil km². "Queremos que ele abranja uma parte dos recifes de profundidade e as buracas, que tem grande quantidade de material orgânico e são importantes para a alimentação de espécies que se reproduzem ali. Isso é importante inclusive para a produtividade pesqueira do banco", explica o ambientalista José Truda Palazzo.

As organizações se queixam de demora na elaboração de uma proposta de limites para a ampliação do parque e realização de consultas púbicas. A mudança vem enfrentando resistência junto a comunidades pesqueiras da região.

"Mas achamos que a prioridade é deixar as áreas de uso intenso dos pescadores fora do parque. A ampliação deve se dar onde tem pouca frequência de pesca", defende Eduardo Camargo, do Instituto Baleia Jubarte.

Segundo ele, o problema não são as comunidades tradicionais que usam os recursos pesqueiros, mas quem pratica pesca predatória, com o uso de compressor. "Isso ocorre particularmente onde estão as buracas e bancos de algas calcárias. Ali há uma alta concentração de biodiversidade. É onde estão as grandes matrizes (os peixes reprodutores), sem nenhuma proteção", afirma.

O presidente do ICMBio, Paulo Carneiro, presente ao evento, disse que de fato ainda não há uma proposta de ampliação porque está sendo finalizado o estudo junto as comunidades pesqueiras para mapear as áreas que são usadas por eles. "Só depois disso vamos ver quais regiões têm uso econômico forte, quais são as mais importantes para a biodiversidade e aí vamos propor um novo desenho." A expectativa, diz ele, é colocar esse projeto em consulta pública depois das eleições.

* A repórter viajou a convite da Fundação Boticário

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