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26/07/2018
ICMBio conclui treinamento de operadores que explorarao Alcatrazes para o turismo nautico

ICMBio conclui treinamento de operadores que explorarão Alcatrazes para o turismo náutico Arquipélago será aberto ao turismo náutico, contemplação de aves e mergulho, nesse mês
26 de julho de 2018

Reginaldo Pupo

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio-Alcatrazes) finalizou o processo de qualificação da primeira turma de profissionais, que explorará, turisticamente, as belezas naturais do Arquipélago dos Alcatrazes, localizado a 45km do porto de São Sebastião. O lugar será aberto ao turismo náutico, contemplação de aves e mergulho, nesse mês, após, por décadas, ter sido alvo de exercícios de tiro da Marinha. Com isso, a unidade de conservação será a primeira reserva marinha de vida silvestre a ser aberta à visitação pública, de acordo com o órgão.

Ao menos 126 turismólogos, biólogos, guias turísticos, monitores ambientais e proprietários de agências de turismo receberam, por quase um ano, informações sobre as diretrizes que regram as unidades de conservação, estudos sobre legislação ambiental, conhecimentos sobre a fauna e flora do local, seu ambiente marinho, plano de manejo, além de conhecer as espécies endêmicas que vivem no arquipélago, considerado o maior ninhal de aves marinhas do Sul e Sudeste brasileiro, e de fragatas do Atlântico Sul.

O ICMBio ministrou dois cursos com módulos técnico e prático, com aproximadamente 60 horas cada um. Dos 126 condutores, 80 foram habilitados para realizar mergulhos, e os 46 restantes, para visitas embarcadas, segundo a analista ambiental do órgão, Sílvia Neri Godoy. Calixto Figueiroa, analista ambiental do ICMBio-Alcatrazes, disse: "Podemos estar diante de um caso único no mundo, em que um lugar como Alcatrazes é preparado antes de ser aberto ao turismo. Normalmente, o que ocorre é a necessidade de criação de regras para um turismo que já ocorre de forma desordenada".

Os cursos foram ministrados conjuntamente pelo Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (Cebimar/USP), Laboratório de Biologia e Conservação Marinha da Universidade Federal de São Paulo (Labecmar/Unifesp), National Association of Underwater Instructorsi (Naui), Instituto Argonauta de Ubatuba, Marinha do Brasil e Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba (Fundacc).

Mergulho

Nos dias 20 e 21 de julho, os profissionais realizaram uma visita ao arquipélago para concretizar a formatura do curso. Alguns deles mergulharam em seu entorno, e conseguiram identificar diversas espécies marinhas, como corais, raias e uma diversidade de peixes e tartarugas marinhas. Eles relataram ter ouvido sons característicos de baleias. Os ruídos podem reverberar por quilômetros no fundo do mar. Nessa época, é comum o aparecimento de baleias no entorno do arquipélago, que serve de rota para a migração para Abrolhos (BA), onde se reproduzem.

A educadora ambiental, guia de turismo e monitora especializada em visita embarcada, Vania Abreu, de Ubatuba, realizou o mergulho e disse: "São claramente perceptíveis a variedade e quantidade de espécies marinhas existentes em Alcatrazes. Aprendemos que o lugar funciona como uma produção de estoque natural para outros lugares, onde é permitida a pesca. E essa é uma das informações que nós, enquanto monitores, devemos transmitir aos visitantes".

Jaqueline Dutra, também de Ubatuba, fez um dos mergulhos e afirmou que a quantidade de peixes "é bem impressionante", embora tenha feito um mergulho raso. "Seria bom que o curso fosse estendido por um período maior, pelo alto nível de aprendizagem, que agregará no meu currículo, até porque sou bióloga e também trabalho com turismo". Ela disse ter aprendido um pouco mais sobre as faunas marinha e terrestre.

A exploração turística do agora Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, criado em 2 de agosto de 2016, proporcionará aos visitantes a prática de mergulho amador e contemplação de aves. A visita terrestre continuará proibida, assim como qualquer tipo de pesca. As operadoras de turismo já foram certificadas pelo ICMBio para realizar os passeios. Mas proprietários de embarcações particulares de recreio deverão obter autorização do órgão, que promete fiscalizar o cumprimento das regras e coibir eventuais abusos.

Ameaças de extinção

As ilhas que compõem o arquipélago totalizam uma área de 67.364 hectares e se constituem na maior unidade de conservação marinha de proteção integral das regiões Sul e Sudeste do país e a segunda maior do Brasil. Já foram catalogadas mais de 1,3 mil espécies de flora e fauna, das quais 93 delas estão sob algum grau de ameaça de extinção. Ao menos 259 espécies de peixes estão protegidas, número superior a Fernando de Noronha (PE). Já foram registradas 465 espécies de invertebrados bentônicos, assim como 60 espécies de invertebrados terrestres, e 64 espécies de macroalgas. Há três espécies endêmicas (que somente existem em Alcatrazes) de animais: a jararaca, a perereca e a rã de Alcatrazes, esta última extremamente ameaçada de extinção, segundo o ICMBio.

O Refúgio dos Alcatrazes destaca-se pela quantidade de aves que vivem ou apenas descansam por ali. Mais de 100 espécies foram catalogadas, das quais 37 são residentes, entre aves oceânicas, insulares costeiras, migrantes de longo percurso (praieiras), aquáticas costeiras, terrestres e florestais. Ainda segundo o ICMBio, 12 dessas aves estão ameaçadas de extinção, dentre as quais seis são residentes, dependendo exclusivamente de Alcatrazes para procriação.

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