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09/09/2018
Fogo consome area de 3 mil campos de futebol em parque nacional na Bahia

Fogo consome área de 3 mil campos de futebol em parque nacional na Bahia
09/09/2018

Vegetação faz parte de área de preservação ambiental em Sento Sé, no Norte do estado

O fogo no Parque Nacional Boqueirão da Onça, na região de Sento Sé, Vale do São Francisco, já consumiu 2.887,78 hectares - o que equivale a uma área de cerca de 3 mil campos de futebol -, segundo a chefe do parque, a veterinária Camile Lugarini. Nessa segunda-feira (10), novas imagens de satélite atualizarão a extensão do fogo.

O site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informava, na quinta-feira (6), cerca de 3 mil hectares atingidos.

O local virou ponto de preservação em abril deste ano e abrange 850 mil hectares nos municípios de Sento Sé, Campo Formoso, Sobradinho, Juazeiro e Umburanas, sendo 345.378 hectares no Parque Nacional, para proteção integral do bioma Caatinga, e 505.680 hectares para a APA (Área de Proteção Ambiental).

Pelo menos 74 brigadistas, quatro aviões, e um helicóptero do Ibama - que monitora a área - participam do combate ao fogo, que, segundo Camile, está parcialmente contido.

"Não está completamente controlado. Nós combatemos o fogo por meio de solo, com a retirada da vegetação para evitar que ele se propague, e jogando água pelo ar. Anteontem e ontem tivemos um avanço muito grande no combate. A baixa temperatura e a umidade relativa do ar estava alta, o que nos ajudou muito", afirmou Camile ao CORREIO, acrescentando que o esquema de mobilização, no entanto, continua no local por tempo indeterminado.

Baixa umidade e ventos fortes
Camile explicou que o fogo é difícil de ser combatido em função da baixa umidade do ar e pelo difícil acesso em solo:

"Hoje à noite não temos nenhum foco, mas amanhã, assim que a umidade relativa do ar diminuir, entre 10h e 11h, é que a gente considera que possa ressurgir, por isso nós não temos uma data exata para desmontar o esquema".

Ainda de acordo com a chefe do parque, além das onças, outros animais também sofrem a perda. "A unidade de preservação não é importante só para a onça, é importante para outros animais, ao longo desses dias, encontramos vários deles que não resistiram, não conseguiram fugir do fogo. A perda foi muito grande tanto para a flora, quanto para a fauna".

Segundo Camile, o incêndio pode ser resultado de ação humana, como atividades agrícolas e de mineração. Ela disse que foram registrados mais de 10 km em linha de fogo.

"Isso é bastante grave. Significa muito para a Caatinga, que não tem a mesma capacidade de regeneração do Cerrado".

Conforme levantamento histórico do parque, o local nunca registrou incêndios de proporções grandes.

Em abril, quando houve a publicação do decreto da Presidência da República com a criação do Parque Nacional e da Área de Proteção Ambiental (APA), o CORREIO informou que a região "é a última grande área selvagem de todas as caatingas do Nordeste brasileiro", como explicou o pesquisador José Alves Siqueira, doutor em biologia vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A flora nativa apresenta grande diversidade - recentemente, 97 novas espécies foram catalogadas. No Boqueirão habitam cerca de 30 onças pintadas, que estão em extinção, e outras cerca de 120 onças pardas. Também estão no local - em extinção - o tamanduá bandeira, o tatu-bola, o gato mourisco e o gato-do-mato.

A chefe do parque afirmou, ainda, que o local serve como refúgio para muitas onças pintadas, que são animais que não têm condições de sobreviver em qualquer lugar.

O CORREIO procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), para saber sobre o trabalho do Corpo de Bombeiros, mas a pasta não tinha informações sobre o incêndio.

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