As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos.

acritica.com
27/08/2018
Comunitarios se unem para alavancar producao de acai na calha do rio Madeira

Comunitários se unem para alavancar produção de açaí na calha do rio Madeira
27/08/2018 às 11:59

A união de três comunidades forma o "Açaí da Cituflex", um grupo de extrativistas que gera renda para 15 famílias diretas, além de beneficiar outras 20 indiretamente

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma, localizada na zona rural de Novo Aripuanã, a 291 quilômetros de Manaus empreendedores ribeirinhos das comunidades São José do Cipotuba, Tucunaré e Flexal têm conquistado espaço no mercado local com o desenvolvimento da cadeia de açaí. A união das três comunidades forma o nome "Açaí da Cituflex", o grupo de extrativistas comunitários que gera renda para 15 famílias diretas, além de beneficiar outras 20 indiretamente.

Durante a Oficina de Gestão de Bens realizada na RDS Juma pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), por meio do Programa Bolsa Floresta (PBF) e com apoio do Fundo Amazônia/BNDES, representantes das três comunidades demonstraram vontade de profissionalizar o processo produtivo do açaí na comunidade do Cipotuba, surgindo, então, a união extrativista para a produção do açaí da Cituflex.

Na comunidade do Cipotuba, a FAS já havia investido na cadeia do açaí com aquisição de bens para o estruturação, tais como batedeiras, louçarias e congeladores para o armazenamento do produto. A oficina, para as três comunidades, foi o momento de construção participativa com todos os envolvidos para elaboração e gestão do projeto do açaí, além de ter sido o momento onde todos construíram juntos o funcionamento das atividades.

"A possibilidade de potencializar as cadeias produtivas da RDS do Juma, como no caso do açaí, implica na vontade dos próprios comunitários de desenvolver atividades que possibilitem geração de renda e melhoria na qualidade de vida. O recurso para o andamento do projeto, por meio do Bolsa Floresta Renda, foi fundamental para eles alcançarem o objetivo de empreender. Dessa forma, as famílias beneficiadas pela produção do açaí podem continuar morando em suas comunidades, sem precisar se deslocar para as cidades para conseguir a própria subsistência", afirma o coordenador regional do Bolsa Floresta, Marilso Silva.

Devido à falta de energia elétrica nas comunidades, a logística de ir para o município de Novo Aripuanã comprar gelo para acondicionamento da polpa tornava o projeto financeiramente inviável. A saída, então, foi transferir as atividades para o município de Novo Aripuanã, com espaço doado por um dos beneficiados pela cadeia do açaí, reformado com recursos do Programa Bolsa Floresta. A expectativa é que "Casa do Açaí da Cituflex" atue nos próximos cinco anos para a produção e beneficiamento do açaí.

"A vontade deles é de construir uma grande usina de beneficiamento para desenvolver a cadeia produtiva do açaí de toda a RDS do Juma e áreas adjacentes. É um sonho que eles conseguirão concretizar", aponta Edmar Pereira, morador da região e mobilizador do projeto.

A FAS atua na RDS do Juma com geração de renda e empoderamento comunitário à cadeia de açaí desde 2009. Apenas neste ano, 10 toneladas de produto foram comercializadas entre março e agosto, o que trouxe uma renda de 20 mil reais para 15 famílias diretamente e 20 de maneira indireta em quatro meses de funcionamento do projeto .

Intercâmbio de experiências

Durante a oficina, um constante trabalho de avaliação e reflexão foi elaborado pelo Bolsa Floresta com os empreendedores para que eles enxergassem holisticamente o atual projeto do Açaí da Cituflex para poderem, então, planejar futuramente a construção uma da usina de refinamento de açaí na RDS Juma. Na ocasião, foi levantada a atual progressão do beneficiamento da cadeia do açaí na região da RDS Madeira e a vontade dos empreendedores em conhecer os avanços da região.

A Fundação proporcionou aos empreendedores da RDS Juma um intercâmbio de experiências com a Cooperativa dos Produtores Agropecuários e Extrativistas dos Recursos Naturais do Município de Manicoré (Coopema).

A Coopema é contemplada pelo Edital Floresta em Pé, promovido pela FAS e Fundo Amazônia através do projeto "Apoio e Fortalecimento das Atividades Agroindustriais e Extrativistas do Município de Manicoré". A cooperativa desenvolve diversos produtos provenientes de agricultura familiar como laranja, melancia, macaxeira e está em fase de conclusão de uma usina de beneficiamento de açaí com capacidade de produzir duas toneladas por hora.

"Eles visitaram a usina de Manicoré para fazer um intercâmbio de ensinamentos entre os produtores, para entender como eles funcionam como cooperativa, além deles poderem aprender na prática sobre assuntos como regulamentações, licenciamentos e vínculos empregatícios para futuramente implementarem com o Açaí da Cituflex", afirma Marilso.

Programa de Geração de Renda

A FAS acredita que incentivar a produção sustentável é a melhor alternativa para incrementar a geração de renda dos ribeirinhos e ao mesmo tempo "fazer a floresta valer mais em pé do que derrubada". A Fundação desenvolve atividades nas 16 unidades de conservação (UC) onde atua o Programa de Geração de Renda (Bolsa Floresta Renda), que busca contribuir em atividades econômicas já existentes e co-criar outras dentro da perspectiva da inovação e do desenvolvimento sustentável.

*Com informações da assessoria de imprensa

https://www.acritica.com/channels/governo/news/comunitarios-se-unem-para...