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Meon Noticias - http://www.meon.com.br
02/07/2014
Comunidades tradicionais se unem por preservacao em Ubatuba

Durante as festividades e celebrações a São Pedro Pescador em Ubatuba, foi lançado o Fórum de Comunidades Tradicionais, "Preservar é resistir". O Fórum conta com apoio de líderes e especialista do Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro e representa as comunidades de Ubatuba, Angra dos Reis e Parati. O objetivo é trazer ao conhecimento da sociedade civil a cultura geral das comunidades, como forma de pedir apoio para a luta pela criação de políticas públicas necessárias para a preservação das comunidades, que caminham a serem dizimadas.

A extensão territorial que tem a presença de caiçaras, indígenas e quilombolas no Brasil, é desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro. De acordo com Dauro Marcos Prado, titular da Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, os ambientalistas e interessados em dinheiro oprimem as comunidades em toda sua extensão. "As especulações compram pessoas e os ambientalistas tolhem as atividades sustentáveis das comunidades. Um método de produção que é considerado o mais sustentável do mundo", disse. Durante o fórum, os representantes das comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas originais do litoral entre o Rio de Janeiro e São Paulo realizaram apresentações culturais representando suas comunidades.

Na região, comunidades e especialistas querem que haja a recategorização destas unidades, como parque estadual ou reserva extrativista (modalidade criada pelo ambientalista Chico Mendes). Para Francisco Xavier Sobrinho, vice-presidente da Associação de Moradores do Pouso da Cajaíba, na Reserva da Juatinga, morar em uma reserva significa ficar impedido de usar a natureza para sobreviver. "Não se pode construir casas de barro, prática agroecológica. Inclusive as tradicionais canoas caiçaras (feitas com um único tronco), plantar e pescar.

Na divisa dos estados, o fórum destaca que a legislação atual prejudica as comunidades quilombolas Cambury e Fazenda Caixa, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina e do Parque Estadual da Serra do Mar. Em ambas, as práticas culturais são reprimidas. "Ou seja, a pessoa vive na pobreza em um território rico porque está impossibilitada de viver com dignidade, conforme suas gerações passaram", observou Vagner.

Extinção

Os motivos que tem provocado a diminuição das comunidades e até o êxodo dos caiçaras, indígenas e quilombolas são, a especulação imobiliária, a exploração em turismo de escala e a ausência de políticas públicas, educação e insfraestrutura. Além das unidades de proteção ambiental, que protege a mata e oprime as comunidades, proibindo suas práticas de agricultura, pesca

De acordo com um dos coordenadores do fórum, Vagner do Nascimento, um dos principais problemas é a sobreposição de unidades de conservação nas comunidades. "A situação engessa a população e desassocia o homem da natureza, fator que garantiu a sobrevivência desses grupos até hoje", declarou.

Outro problema causado pela grilagem é a restrição imposta por condomínios de luxo, como na Praia do Sono, que perderam o acesso ao mar.

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